Discutir a relação de terceiros com seus filhos chega a ser atitude ingrata. Cada um tem sua maneira, suas dificuldades e seus prazeres na educação e criação de seus filhos.
Assisti o filme desconhecendo que chegaria neste impasse. Nada sabia a respeito da história que me tomou o dia das mães e me fez refletir muito sobre várias coisas que a gente aplica em relação aos filhos, considerando certo e bom.
O Kevin é atípico, as dificuldades no parto, mostram claramente a rejeição da mãe que reluta em deixá-lo nascer. O Kevin desde bebê já demonstrava ao que veio, porém, não teve os cuidados para que pudesse crescer e se desenvolver de forma sadia e de bom trato social.
O pai, ausente, só vê no filho o gosto pelas flechas, não se preocupou que o resultado final de tanta apreciação e dedicação, pudesse desencadear uma tragédia. Via no filho a afeição que os envolvia, já que com o pai ele se tranquilizava. Não lhe preocupava a rejeição à figura materna, seria normal o filho fazer birras com a mãe.
Paremos para pensar até que ponto somos responsáveis pelos erros de nossos filhos...
A cena em que Eva, a mãe, não suportando mais o choro do bebê, leva-o no carrinho até uma obra na rua e pára ao lado da britadeira em ação, dói e muito! Aquilo é a representação clara e óbvia de uma depressão pós parto completamente ignorada. Por ela e pelos demais. Sem ajuda, ninguém consegue sair de buraco algum. Só aumenta o tamanho e profundidade do estrago na alma.
O médico consultado, apresenta um diagnóstico normal. Mas e aí, os sintomas persistem e não se faz nada? Acomoda-se na primeira e única opinião ouvida??? Não corre-se atrás de uma melhoria na qualidade de vida desta família, ou pelo menos desta mãe??? Ou deste filho? Por que?
Interessante que essa (Por que?) é a pergunta no fim do filme, a qual fica sem resposta óbvia.
Quantos Kevins vemos por ai afora que terminam no mesmo resultado? Nem temos como contabilizar...são tantos e trazem tantas dores...que podem ser evitadas ou pelo menos, amenizadas. Muitos caem no conhecimento público e muitos caem no esquecimento.
Não pode nunca haver espaço para a acomodação na criação de um filho!
Qualquer fato estranho, deve ser levado em consideração. Um comportamento diferente. Uma palavra dita de forma mais brusca fora de hora. Um humor alterado do nada. Tudo isso são sinais de que algo errado acontece! E muitas vezes o problema NÃO é a falta de algo e sim, o exagero, a sobra de algo geralmente material! Sobras que abrem caminhos para drogas, abusos, crenças em eternas impunidades e mais uma porrada de teorias.
A mãe é responsável pelo anjo ou pelo demônio que cresce debaixo de suas mãos!
Na ausência dela, a família é responsável pelo adulto que se verá!
Na falta da mãe e da família, o ser não tem apoio. Falta aquela estrutura moral para sustentar uma boa base de formação. Neste caso, o estado deveria ser responsável, mas a sociedade que dá amparo é justamente aquela que não formará nada de bom. Mas mesmo assim, ainda há solução. O adulto, responsável por si, que surgirá, poderá ter a sorte de encontrar um bom caminho mesmo que sozinho. Difícil, mas não impossível.
Foco muito na mãe, porque no caso do filme, minha opinião é que ela foi omissa na índole do Kevin, que não se disfarçava, pelo contrário: fazia questão de provar que não era nada positiva!
Será que essa mãe também não teve amparo para ser uma boa mãe? Não recebeu material de base para poder transmitir ao filho?
Por que é tão dificil para uma mãe reconhecer que seu filho não é igual aos demais? Seria porque ele é igual a ela?
Por que fingir que está tudo bem,quando na verdade, está tudo muito mal?
Por que tapar o sol com a peneira, impedindo a visão de se ampliar nos problemas?
O que se ganha ao esconder a realidade, ou se esconder da realidade de um filho que necessita de cuidados maiores psicologicamente e psiquiatricamente falando?
O por que da vergonha? E de quem se envergonhar??? Dos amigos? Da sociedade? De si próprio?Mas e quando essa vergonha toma a forma de uma tragédia, como ocorre com o Kevin? Vai se envergonhar de quem ou do que mais?
Neste caso resta o que? Enfiar a cabeça na terra e se negar a ver o resultado? Ninguém vai tomar conhecimento das dores alheias que poderiam ser evitadas? Vai, sim!
Penso nos "Maníacos do Parque", nos "Lindenberghs" da vida, nos "Pimenta Neves" que geralmente ficam à mercê da justiça falha que temos...isso, quando não ficam completamente impunes graças às condições financeiras sua ou da família...
Penso que seja necessário mais alarde em relação à criação e às pequenas falhas de conduta das crianças. Isso pode evitar muitos erros futuros, muitos crimes, muito sofrimento!
Transporto isso para a realidade brasileira, onde o adolescente é enviado para a casa fundação que não tem base nenhuma para reestruturar um deliquente, muito menos uma personalidade doentia ainda em formação.
O bullying também é resultado de uma explosão de reações contra ataques morais de terceiros.
É preciso que se conscientize sobre a má divulgação de detalhes pessoais do outro, que não dizem respeito senão ao próprio. Chacotas sobre defeitos e diferenças são duramente impregnados na mente e podem acabar gerando uma reação mais agressiva ainda do que os próprios comentários. Quantas vezes um cabelo é motivo de piadinhas infames dentro de um grupo social? O peso da pessoa...opção sexual, que não diz respeito a ninguém mais do que a cada um e no entanto, viram motivos para agressão!
Isso, muitas vezes, não é digerido de forma tranquila e termina mal...lembremos do caso de Realengo. É como se a sociedade só pudesse ser composta de pessoas normais, bonitas e de acordo com o padrão estabelecido pelos..."normais"!
O Kevin é mal. Aliás, ele poderia apenas ser considerado um sujeito malvado, sem noção moral, sem capacidade para discernir o que seja certo ou errado. Sim. Existe (acredito nisso) o ser humano que nasce sem a capacidade de compreender agressões como atitudes erradas. Cabe ao grupo que ele pertença, que lhe "conserte", que lhe oriente para torná-lo uma pessoa comedida, pelo menos.
Lembrando que, precisamos falar sobre o Kevin constantemente. Pois todos são responsáveis pela criação de comportamentos difíceis, rebeldes e cruéis.
http://youtu.be/AMmMN5Ge570







