quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ser Mulher.

 

 

 

 

Ser Mulher.


Ser mulher é ter muito amor dentro de si!
É sair da cama logo cedo, porque dormir até tarde
é assunto de celebridade.
É enfrentar fila no supermercado
mesmo que esse seja bem afastado.
É sair
sem querer fugir.
Procurar
sem cansar.
Dar um jeito no leito,
um amasso
no laço
ou um expressivo abraço
naquele que desperta saudade.
É temer sem receio
uma plástica
e encarar no máximo uma drenagem linfática
sem preocupação com o peito
que teime em seguir a força da gravidade.
Ser mulher
é saber,
é querer,
é ter poderes
sem pudores.
É ser deusa ou vagabunda,
mesmo que seja uma segunda.
É escrever sobre seu maior sentimento
em qualquer momento.
É ser mãe,
do filho gerado pelo ventre
ou de todos que veja pela frente.
Ser mulher
é escrever muita besteira
e muita asneira,
principalmente quando a vida perde a graça
e a boca ganha uma mordaça
para não lembrar
de reclamar.
É sufocar,
é querer gritar,
é impedir
e ao mesmo tempo querer pedir,
socorro ao vento.
Ser mulher é encarar uma fila.
Ter um cão fila
como segurança
da sua criança.
Ser mulher é não ter mais o que falar
quando todos se forem
e ela ficar só, sem motivos para sonhar...
 
 

 AUTORIA:SELMA GUIMARÁES COENTRO

Um pouco de erotismo (nr 2)













Era no carro, na rua, na estrada, no ônibus ou em qualquer lugar que coubesse a explosão sexual daqueles dois.
Eram um único fogo em forma humana. Não importava o tempo. Não importavam os olhares. Eram certidões legalizadas do amor que colocavam em prática quando se encontravam.
E estes encontros eram emergências. Não sabiam esperar por qualquer dia ou hora, era no momento exato que batia o tic tac do relógio hormonal deles. Organicamente falando, poderia se pensar em exagero, mas eles sabiam que tudo era absolutamente normal para o tamanho do sentimento que havia dentro de um pelo outro.
Nada os impedia.
Nada os repelia.
Nada era obstáculo quando se tratava de se saciarem. De se embriagarem de secreções um do outro.

Tudo podia ser visto e sentido até de longe mesmo para quem não os conhecessem. Não faziam segredo de que se queriam. Sabiam que eram um do outro e para todo o sempre assim seria. Ficaria na memória de quem se atrevesse a olhar duas vezes, a falta de pudor como se tocavam.

O que é que gera tanto amor?

De onde veio este sabor de querer saber cada vez mais das artes e artimanhas da sedução para o que o prazer fosse cada vez mais pleno? Era muito erotismo para apenas dois seres!
Chicotes, algemas e lubrificantes...eis alguns dos instrumentos que os ajudavam para se emocionarem
nos contatos entre almas.

O que faz manter tanto amor?

De onde veio este querer ter cada vez mais vontade de ficarem juntos, de se apoiarem, de se unirem em prol deles mesmos? De um ganho visto unicamente por eles. Um bônus de energia além desta vida. Além da moral e dos bons costumes da sociedade que vivem de forma indecentemente satisfatória.

Entre as pernas ela segurava ele. Entre as pernas dela, ele queria ficar para sempre. As línguas sabiam se entrelaçarem em beijos como nos passos de um ballet de sucção, de fricção ante-gozo e de jorros de pura emoção.

Não existia verão que os separasse, assim como o inverno nada mais era do que um tempo a mais para se amarem debaixo de cobertores e edredons suaves como os travesseiros que apoiavam tantos sonhos.
Não existia primavera que não os premiassem com lindas flores a adornarem os cabelos e os cantos por onde este amor quisesse se manifestar.
Não existia outono que não trouxesse uma brisa para refrescar os corpos entre os copos de água que lavavam os rostos entre um e outro aconchego.

O sol iluminava e fortalecia este amor.
A lua abençoava com as estrelas este amor.

O universo conspirava a favor deste amor e escondia-os do mundo invejoso, barulhento e insano.


Por isto, o infinito se rendeu e cedeu à este amor, a eternidade da existência. Para que nunca, mas nunca mais se separassem um do outro, fosse onde estivessem.

Um pouco de erotismo. ( nr 1 )










 
 
 
 
 
Assim ela foi entrando: em uma das mãos, segurava uma blusa. Com a outra mão, uma calcinha.
Não sabia o que fazer. Depois de tanto tempo esperando a vez, já tinha esquecido como era tudo aquilo de novo.
Ele, ali, parado em sua frente, pedia-lhe que entrasse logo.
Ela hesitava de medo de ser vista, de algum olhar ser testemunha de sua fuga. Mas entrou e sentou ao lado dele.
Não tiveram tempo para as conversas. O desejo falou mais alto que tudo e foram direto para o quarto em ânsias e tremores de amores perdidos e esquecidos no tempo.

Suas mãos se entrelaçaram e começaram o jogo do infinito...

O vento nunca tinha visto tanta roupa ultrapassar o ar e cair no chão frio. Ele, por sua vez,  nunca imaginara que ela um dia se entregaria por inteiro, sua, somente sua.
Nua, completamente nua.
Bela, linda, esplendorosa em seu desejo!
Ele, formoso, passava os braços em torno da cintura dela e lhe pedia mais. Em beijos, em sussurros, em chamegos e dengos.

O que de mais poderia haver entre eles, que se queriam e se amavam mesmo sem saberem?

O tudo, não era suficiente.

Os corpos ardiam entre as estrelas dos olhos de cada um. As mãos contornavam as curvas com todo ardor possível e até mesmo impossível. O fogo da vida enfim se acendeu entre suas bocas, enchendo o ambiente com o odor de rosas vermelhas, incenso e bolhas de espumante. Taças se quebraram na pressa do brinde e os cacos não cortaram suas peles imunes ao mundo.

A descoberta deste amor foi um laço no destino de cada um deles, recém-conhecidos, porém relembrados de dias que não faziam parte deste calendário nosso.

Os lençóis eram de cetim, mas se não estivessem ali, não fariam diferença para  o desenrolar e desabrochar de tanto sentimento guardado. Em nuvens, eles flutuavam. Em chamas se ardiam e se buscavam inquietantemente. No silêncio do segredo, se revelavam amantes. Em nuances perceptíveis de contatos além da lenda da vida e das estrelas.

E seguiram (felizes ou não) neste barco em direção às águas abençoadas por Iemanjá. Salgadas como a natureza criou. Cristalina como Deus desenhou.

No instante, o mais importante é lembrar que o amor é eterno e satisfeito apenas dentro de um coração que o aceite, que o chame, que o declame incessantemente. Mas por sua livre e espontânea vontade. Nunca a força, apenas se fôr para fincar a seta do cupido até sangrar...

O gozo não era o alvo do encontro. O orgasmo mais profundo foi no encontro das almas planejado em outro planeta, o da perfeição.

Em comum acordo com este detalhe, se viraram de lado e adormeceram. Descansaram da longa jornada de carícias e afagos íntimos. Ao despertar, se deram conta que o tempo passava e era preciso voltar para a vida.

Se vestiram. Se entreolharam e se despediram. Só.
Somente um beijo discreto para selar um futuro muito breve reencontro.
Sabiam que mesmo que morressem em separado ao sairem dali, nada mudaria, pois a luz da espiritualidade viria para acertar as contas que ficaram na mesa do altar daquele amor.
As taças quebradas ficaram como testemunhas do ato em si.
A cama desarrumada ficou no abandono cheia de suor.
A luz ficara acesa, para que a energia não se dispersasse e esperasse pelo dia seguinte, quando retornariam.

Um último olhar dela em redor do quarto, em busca de algo esquecido. Nada. Tudo estava em suas mãos. A blusa, ela vestiu por medo do frio e a calcinha, guardou na bolsa.

Vai que na estrada de volta, eles resolvessem retornar para o quarto...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Calçadas do Tempo.





 
 
 
 
 
 
E o tempo vai passando...vou andando pela rua em busca de uma esquina onde possa repousar meus pés cansados da caminhada debaixo do sol frio.
Olho as mesmas árvores. Penso as mesmas coisas sobre elas.
Da calçada avisto um muro verde, que já foi azul, rosa e lilás. Não sei dizer se trocaram-se os donos ou o gosto do mesmo dono. Pode ser que o ponto de vista dele tenha sido alterado por algum fato inédito e imprevisto...pode ser vontade de renovar, acreditar em algo novo de novo tom, de novas bases.

Da mesma calçada avisto uma criança brincando com suas bolas de gude. Meu medo sempre foi o de um dia acabar tendo de presenciar esta criança engolindo uma delas. Mas algo sempre me deu uma paz quando sabia que esta criança estava ali, sentada brincando. Ela era a representação da infância que não se perdeu na evolução;

Do outro lado da calçada sei que há uma mulher à espera de um ônibus. Também não sei se ela vai ao trabalho, mas sua pontualidade compete com a minha curiosidade. A dona não sabe que eu a observo, mas eu sei que ela observa os homens que passam. Talvez procure por algum de seu passado, ou querendo que algum delesfaça parte do seu futuro. Suas vestes não demonstram seu destino. Não revelam seus segredos, mas entregam suas esperanças. Desnudam o seu equilíbrio no salto alto azul cobalto que ela adora ficar olhando, conferindo a perfeição de seus dedos com a ponta do sapato.

Ao meu lado, sei que um idoso passa por mim e me diz um bom dia com cheiro de tempo. Não de tempo passado. Mas de tempo vivido. Tempo curtido. tempo espremido entre brincadeiras e responsabilidades.
Junto com ele, vai "sua senhora", a dama que lhe sorri sorrateiramente ao longo dos anos. Sempre com o dedo em direção ao céu, como a acusar que poderá chover.
Meus pensamentos passeiam por tantos personagens que avisto.
Minhas lembranças afligem quando me dou conta de que meu tempo também está passando!

Desta calçada eu sei que muitos passos se alongaram em torno de sustos e boas surpresas. Assaltos foram planejados ali e até mesmo executados na pressa que só o crime conhece. Este concreto já foi testemunha de muitos namoros, olhares escondidos comprometedoramente medonhos e assanhados entre as saias das meninas e os bolsos dos rapazes.
Passos que se apressaram para a cama. Outros se desviaram da lama e foram para um quarto mais quente, mais longe para não serem importunados.

Nas calçadas das ruas onde passo todos os dias, deixo notas de minha autoria. Quem sabe, um autor as recolha e leve-as para um convento e as santifique? Quem sabe, elas deem flores e saibam frutificar doces sonhos de quem busque um encanto para alcançar um degrau a mais na vida pesada, lenta, ensurdecedora? Sendo bentas, elas poderão servir de alento para alguém. Assim eu desejo. Assim eu as entrego ao mundo.
Hoje, agora e sempre.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Era" Impossível.

 
 
 
 
 
 
 

Muito interessante (percebendo a coisa pelo lado psicológico) como certas músicas nos são apresentadas para marcar algo, um alguém ou um simples sentimento.

Conheci essa música através de um power point anexado num desses e mails completamente sem sentido que recebemos aos montes todos os dias. Mas este eu resolvi abrir por curiosidade. Não lembro bem o tema, mas trazia esta música para acompanhar.

Freddie me deixou marcas com sua voz e sua postura de bailarino meio macho, meio gay. Montserrat, sinceramente não me fascinava. Mesmo assim a música me tocou. Seu significado era tudo o que eu sentia na época, no dia e pelos dias que se seguiram. Aliás, por muitos dias. Muitos.

Passei muito tempo me perguntando como eu poderia seguir adiante depois do que passei? A "facada" dada de forma tão profunda não parecia que me deixaria sobreviver. Eu realmente sangrava por toda a alma. Como doía...mas era verdade. Realidade tão distante de tudo que imaginei. Que criei para minha eternidade que ruia ali, na minha frente.

E sozinha. Sem ninguém para me ouvir ou pelo menos compreender minha necessidade de cuidados. Sem ninguém para me dizer que eu tinha de me fortalecer para continuar. Eu tinha acabado de perder o chão, o rumo e até parte do destino. Era tanta tristeza que eu tinha certeza de que não poderia jamais esquecer tudo aquilo.

"Como posso ir em frente?"

O mundo parecia ter adquirido um tamanho imensurável para mim, para minha tristeza. O mundo estava sendo demais para tantas lágrimas despejadas sem nenhum pudor. E do que me serveria a vergonha naquelas circunstâncias?

Sofri. Chorei até lavar a alma por inteiro.

Superei, ao ponto de poder ouvir esta música e sentir apenas um leve cheiro de passado não tao distante, mas relevante. Não sei se poderei esquecer, mas dissolvi, digeri bem o fato e ainda fiquei com a certeza de que precisava passar por aquilo para entender e aprender muitas coisas. Ao meu respeito e por respeito à mim.

Nada nos acontece sem que seja para nos conduzir à uma realidade que muitas vezes nossos olhos ficam bloqueados. Ficam até estagnados no ar, como pipas ao vento. Vamos seguindo em frente achando que tudo está certo, tudo ok, tudo muito bom. De repente nos chega um furacão e leva embora o bom da vida que acreditávamos ter. Mas no lugar, ficou apenas a crua realidade da vida.

O importante é que hoje "How Can I Go On"não é mais impossível, é apenas uma linda canção que me desperta grande saudade do belo Freddie.

Belo e imortal.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Renovações. Incrementos e Exageros.















Cansaço...

De tudo um pouco.
Da mesmice do ar seco, da falta de novidades, da escassez de presenças, da rotina das minhas gavetas...

Preciso incrementar essa vida, essa agonia de não ter horizontes disponíveis e nem visíveis.
Colocar um cabide a mais no armário para receber um vestido ou uma blusa. Calças, não. Obrigada. Cansei também das calças e enquanto tiver pernas quero que o mundo seja testemunha de todos os contornos. As vezes é preciso fugir do vento. As vezes é preciso fugir de um olhar antes que se transforme em gesto indecente.

Preciso agitar minhas manhãs com orações mais dignamente dirigidas. Acho que ando errando o alvo quando me ajoelho ou os santos de minha devoção também ficaram surdos para serem solidários comigo. Não preciso de tanto. Só de ser atendida! Caprichar mais no fogão e me alimentar de forma mais correta. Tenho sido totalmente largada comigo em relação ao que consumo. Ah, tá. Me deixei levar para compensar. A gula só é pecado para quem vê e julga, mas não para quem dela necessita. Meus chocolates são fiéis até debaixo d'agua. Sabem que sem eles, eu me reduzo à um pequeno pedaço de nada.

Tenho de recomeçar minhas hidros, nunca mais fui. Por que parei mesmo? Nem sei. Me fazia bem.Não tinha razão de pedir divórcio da piscina aquecida. O período da tarde é ótimo para se exercitar quase em movimentos de balé.

Vou precisar tirar a roupa de cama e soltar os lençóis no sol, para serem energizados e abençoados pela cor e pela força da luz natural. Colocar tecidos suaves, coloridos, alegres e novos para ter motivos de sobra para pensar no futuro. Edredons king size. Travesseiros perfumados, o quarto incenssado com jasmim e decorado com flores nos vasos de cristal.

Assim vai dar para pensar em tapinhas no bumbum, sutiãs no chão, calcinhas rasgadas inesperadamente...



 


Suar até precisar fazer o chuveiro ligar sozinho para mim. Tudo sem pressa e sem medos bobos de perder a hora. Aliás, vou enxergar a hora no brilho dos seus olhos que irão me mostrar até as estrelas mais distantes da terra. Vou sentir teu cheiro e saber reconhecer porque sou para você, o que você é para mim. Na respiração descompassada é que seremos cúmplices da sedução que nos envolverá.
Vou molhar tuas pernas e teu umbigo...com suores, secreções e salivas.
Vou mexer com teu desejo até te enlouquecer.
Vou tirar você do sério!
Vou deixar seus pensamentos sem rumo. Sem direção. Sem possibilidades de partirem para outra (s) finalidade (s) que não sejam meu eu interno.

Vou dançar para você me apreciar como odalisca do seu deserto. Vou te embalar no ritmo dos meus quadris para que você enlouqueça mais um pouco. Depois, vou dançar nua para você. Vou te embalar no ritmo das minhas curvas para que você entenda a loucura que é seu corpo no meu. 

O restante da casa? Servirá de testemunha no silêncio.

Só me faça o favor de bater na porta antes de entrar e não me pergunte porque.




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Caboclo Cobra Coral.

 

 

 

 

Prece ao Caboclo Cobra Coral

Salve ó poderoso caboclo que tudo ve e tudo prove em minha vida.
Fas andar tranquilo pelos verdes campos de Oxóssi.
Leva meu pedido até os limites da eternidade,e alcança ,os brados de meus inimigos que se encontram revoltos.
Refrigera a minha alma e guia-me pelas veredas da justiça de pai Xangô.
Ainda que eu ande pelo vale da morte ,eu não temerei mal algum,pois Abaluaie esta sempre ao meo lado.
A minha direita carrego o cajado do mago da cobra, e a minha esquerda levo sete infernos a me protejer.
Unge minha corõa ó caboclo

Serpente.

 

 

 

 

 

 

 



Meu lado Serpente.

Hoje já acordei impaciente...
aquele tal pensamento indecente
não queria me ver como sobrevivente
insistia comigo que tudo tem de ser dente por dente.
Esse é o meu lado serpente,
víbora consistente
com aparência de adolescente
e porte de deficiente.
Eu sei que comigo acabo sendo muito delinqüente.
Gosto de ser diferente,
de ser gente
inexplicavelmente.
Vivo o presente
de forma pungente!
Diante do mal, eu posso ser valente,
minha força é meu tridente.
Sim, eu ainda sou gente!
Tenho pressa e exijo a felicidade de forma urgente!
E aquela que tenta me derrubar não passa é de uma doente,
eu sei que caridosamente
eu deveria agir com ela e ser mais coerente,
mas não consigo! Não tenho dom para ser tão benevolente,
Com quem pensa que é comovente
e não passa é de um ser incompentente!
Meu lado serpente
não gosta dessa gente indecente,
essa maledicência é deprimente!
Como ela pode ser tão imprudente?
Não pensa no futuro...pois talvez não saiba o que fazer com seu estado presente...
E por causa disso é tão imprudente,
impertinente...
Lamentavelmente preciso somente
conter em mim a fé suficiente
e mostrar que sou resistente
para tanto mal que ela por mim sente.
Vou olhando de lado, sorridente
cada vez que ela cai, eu estou na sua frente!!!
Ela pensa que o seu azar vem da minha mente,
não entende que diante dela eu sou apenas um pingente.Ingenuamente ela continua sendo maldizente...
isso é mal de gente que tem medo de ser diferente!
Eu quero que daqui para frente
ela se torne completamente
indiferente
quando por mim passar rente.
Só espero que nem tente
cutucar de novo meu lado serpente.
Ou deixarei sair pela ponta do dente
ou pela ponte displicente
ainda que docemente
todo meu veneno efervescente.


*O texto é de minha autoria. Não lembro mais quando foi feito, mas foi direcionado para uma vizinha que vivia para aporrinhar a paciência de meio mundo do condomínio.
Hoje, releio e vejo graça em minhas palavras. Eu me aborrecia por tão pouco, bastava não dar atenção para a criatura. Mas era quase impossível! A dona tinha o dom de cutucar um ponto fraco de cada um em particular!
Era habilidosa! Ágil como uma serpente mesmo! E venenosa. Não escolhia hora e nem selecionava seus alvos. Eram adultos e crianças. Bastava ela ter um contratempo com o marido ou com a empregada ou no emprego e os vizinhos tinham de pagar o pato.
Assim foi por alguns anos.
Ela emputecia, mas como nenhum mal sobrevive por muito tempo, a vida arrumou um jeito de dar-lhe o troco.
E que troco, héin Deise...vai com Deus!

Filosofiando...










Quero amanhecer desde já para buscar minha proteção que deixei nos teus braços. Esqueci da melhor parte, a da entrada de tudo. Do festejo da alegria. Do renascer. Do viver.

Quero amadurecer cada vez mais para começar de coração aberto o caminho que se abre com muito suor. Muito profundo. Com muita energia. Do saber. De reconhecer.

Quero entardecer agora para planejar melhor uma vida que procurei lá atrás. Muito lá atrás. Tão tardiamente enobrecida. Mas movida pela constante vontade de ter paz ao seu lado.

Quero entardecer antes do meu fim. Para pedir seu sim. Ter você para mim. Como eu sempre quis. E como sempre por tudo que fiz.

Quero anoitecer ao longo das horas, para dormir em sua companhia e me embebedar do seu sono. Só não sei como. Preciso aprender a te prender em minhas pernas por toda a noite. Rever técnicas modernas de te levar além da meia noite para o fundo do meu querer.

Quero anoitecer assim. Abençoada pelo prazer do teu corpo no meu e do meu rosto no teu. Da minha vida na sua vida e do nosso eterno viver.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Do casulo à realidade.














O último que sair, apague a luz e tranque as portas, por favor.




Pausa na vida. A respiração tá forte demais para acompanhar meu ritmo mais devagar por causa dos fatos e atos falhos.
O tempo é de renovação. Da pele, do ambiente, do corpo, da mente e das crenças.
Joguei a toalha ao vento e ele me devolveu as pétalas que havia esquecido no fundo do baú. Pensei que ainda estavam no fundo da gaveta do armário escondido no porão do seu coração. Mas, não. Estavam debaixo do tapete da sua sala de estar, entre a porta e o sofá. Essas pétalas eu jamais iria buscar. Deixei de lembrança, acreditando que você iria acreditar na minha esperança, na minha carência.
Hoje já não sei mais o que digo por ai. Me perdi no trajeto que tracei para ir em busca de algo que me levasse à marte ou saturno. De repente me vi de frente com a morte!
Que susto! Que medo dela levar o que eu ainda queria que ficasse em mim!
Olhei o trem vindo e desejei que ele trouxesse aquele aroma de jasmim ou alfazema para purificar o ar das tristezas nos olhares das mulheres ao meu lado, mas carregam mágoas profundas na alma.
O trem vinha cada vez mais próximo e alguns homens procuravam um lugar para sentar. O cansaço também é traço nos rostos bem desenhados, alinhados, suados...
O brilho de cada retina demonstra a rotina do dono. Alguns poucos fazem a figura de uma estrela, de tanto que brilham!
Outros, quase nem se enxerga. Estão disfarçados, entre o nariz e a testa pedindo que ninguém os repare.
Separe as figuras que você vai entender a ladainha nossa de cada dia nesta vida.
Faz que sentiu alguma coisa e vai embora. Sai de perto que é melhor.
Vou caminhando ao lado dos trilhos, onde o caminho é livre embora proibido. Andar sobre pedras nunca foi obstáculo para quem teve vida curta entre os sons.
A pausa na vida deve ser por um bom tempo. Até eu decidir que chegou a hora de me despedir ou, quem sabe, insistir mais um pouco?
Insistência parece coisa de louco, mas é para os fortes e compromissados consigo mesmo. O título de propriedade da minha vida ainda não foi posto à leilão.
E hoje sim, eu sinto que está valendo a pena continuar a caminhar.
Vou observando as pixações dos muros e fachadas, procurando uma sigla que signifique algo sobre meu nome. Talvez encontre. Talvez invente.
Só chegarei após as 22 hrs.
Terei tempo de sobra para um bom banho, uma sopa e meus cobertores. Depois disso sim, eu sonho tudo de novo.
E pode aguardar: estarei pronta para tudo o que vier.

...se der tempo...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pompoar: arte para ter saúde e prazer.











É normal, ao falar em pompoarismo, vir a nossa mente imagens de mulheres orientais lançando longe alguns artefatos, de forma que pode ser considerada pornográfica, num verdadeiro malabarismo. E por tal motivo já existiu muito preconceito com essa técnica milenar, que nasceu na Índia e é muito utilizada no Japão e Tailândia.

Pompoar (pâm-pohur) significa ter o controle mental sobre a musculatura vaginal.

Não, este artigo não é pornográfico, muito pelo contrário. Vamos desmistificar o assunto e perder o tabu, pois a arte de pompoar pode ajudar a mulher na sua saúde e no seu relacionamento afetivo ou seja, só nos beneficia.

Saúde: auxilia no tratamento do vaginismo, flacidez pós-parto, incontinência urinária por esforço, queda de útero, prolapso da bexiga e do reto, entre outras decorrentes da musculatura perineal. Ajuda também a pompoarista no parto normal.

Afetivo: melhora a qualidade da relação sexual, pois trabalha músculos que você nunca imaginou que tinha, aumentado a sensação de contato e prazer, proporcionando a mulher mais segurança e aumento na auto-estima.

Os cursos podem ser presenciais ou através da internet.

Para fazer o curso e praticar os exercícios do pompoar, são utilizados duas bolinhas bem-wa (em japonês significa: que se acomodam), que são unidas por um cordão e vibrador para pompoar (bem diferente e mais fino que os vendidos para outros fins).

Os exercícios: Contração de Sucção e contração de expulsão, são movimentos vaginais inversos um ao outro, possibilitando com isso uma musculatura forte. Lembrando que, músculos de uma forma geral se fortalecem pela prática habitual de exercícios. Não são fáceis de obtê-los sem malhar e para mantê-los também tem que se manter uma rotina de malhação.

Para identificar os músculos utilizados no pompoar, interrompa o ato de urinar antes de terminar. Os músculos utilizados para essa interrupção serão os que deverão ser malhados.

Você pode começar mesmo sem os equipamentos. Comece aos poucos, no movimento de contração e depois relaxe, em movimentos de repetição por alguns minutos. Faça todos os dias que depois de 2 semanas já começará a sentir a diferença.

A mulher que investe em si mesma e em sua saúde, tem melhor qualidade de vida e consequentemente esta qualidade se estende aos seus familiares, principalmente em seu parceiro.


(FONTE: http://www.ruadireita.com/outros/info/pompoarismo-e-a-saude-da-mulher/)




Ser Mulher.

 

Ser Mulher.

Ser mulher é ter muito amor dentro de si!
É sair da cama logo cedo, porque dormir até tarde
é assunto de celebridade.
É enfrentar fila no supermercado
mesmo que esse seja bem afastado.
É sair
sem querer fugir.
Procurar
sem cansar.
Dar um jeito no leito,
um amasso
no laço
ou um expressivo abraço
naquele que desperta saudade.
É temer sem receio
uma plástica
e encarar no máximo uma drenagem linfática
sem preocupação com o peito
que teime em seguir a força da gravidade.
Ser mulher
é saber,
é querer,
é ter poderes
sem pudores.
É ser deusa ou vagabunda,
mesmo que seja uma segunda.
É escrever sobre seu maior sentimento
em qualquer momento.
É ser mãe,
do filho gerado pelo ventre
ou de todos que veja pela frente.
Ser mulher
é escrever muita besteira
e muita asneira,
principalmente quando a vida perde a graça
e a boca ganha uma mordaça
para não lembrar
de reclamar.
É sufocar,
é querer gritar,
é impedir
e ao mesmo tempo querer pedir,
socorro ao vento.
Ser mulher é encarar uma fila.
Ter um cão fila
como segurança
da sua criança.
Ser mulher é não ter mais o que falar
quando todos se forem
e ela ficar só, sem motivos para sonhar...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Puta.















De mulher a puta...


Desde que mantenha o nome sagrado, a mulher pode ser o que bem entender.
Pode ser mãe, ser dona de casa, faxineira, empresária ou seguir a carreira que escolher.
Só não pode ser puta.
Pode lavar a rua de noite, pode comer comida fria e crua, pode andar nua pela casa que a vida continua.
Pode ser uma mistura de tudo um pouco. Usar batom vermelho, vestido decente e lingerie daquelas que insinuam uma noite quente...
Todas merecem respeito!
Há de se ter muito peito para enfrentar um desconhecido imundo e cheirando a cachaça, deitar a carcaça sobre ela e ainda abraça-la como se fosse sua.
Toda noite a puta vai pra rua.
Vira a esquina e aguarda a buzina a chamar para amar. Mas ela não conhece o que é amor, foi criada para ser flor e não aquela...aquela, sabe?
Não se gabe. Ela é mulher, menina, meretriz, rameira, mariposa, rapariga, prostituta...
Ela é puta.
Simplesmente e tão docemente ganha seu pão da maneira mais antiga do mundo. Nunca será esposa. Nunca será madrinha. Nunca deixará de ser uma atriz, cuja vida corre nos bastidores da lama que se espalha pelo seu corpo quando sai da cama, depois de ser usufruída.
Muitos lhe pagam, alguns lhe abençoam. Uns poucos lhe ouvem contar sua história desde o início. Veio pela necessidade e ficou pelo vício.
Hoje já nem sabe mais quem é. Apesar de ainda ter seus documentos, pagar para viver, ainda tem seus aborrecimentos. Sabe ler, mas não tem tempo nas mãos calejadas, suadas, sofridas...
Sua boca cheira a jasmim. Aprendeu a beber perfume para disfarçar o azedume do hálito ruim.Não assobia para chamar fregues, tem medo de atrair homem que não seja bom com ela. Que a faça se apaixonar para depois largar como um pano de chão velho.
Basta se olhar no espelho e ver que ainda tem sonhos espalhados entre as rugas precoces. Sonha em ser alguém. E ter alguém. Mas que seja somente seu de mais ninguém.
No fundo, sabe que isso não acontecerá.
O amor não foi escrito no seu destino.
Por isso ela é puta.