Não tenho vergonha de assumir que não sei lidar com injustiças, mesmo que elas sejam televisivas. Se forem na real, muitas vezes caio de cama mesmo. Ainda. A idade não me permitiu mudar neste ponto e nem terapia vai me modificar, ainda que me mostre ângulos precisos do porquê ser assim.
Ontem voltei para a novela na curiosidade de ver até que ponto a Nina iria. Sabia de alguns detalhes da novela, do que iria rolar, pelas notícias vinculadas nos tablóides de fofocas. Alguns "jornalistas" adoram adiantar os capítulos das novelas. Não entendo esse "ganha pão" como honesto, mas como até eu, acabo cedendo e vou ler...não posso reclamar muito.
O que me chamou mais atenção, foi a interpretação das duas atrizes, que cá entre nós...olha....não é nada fácil ser tão íntegra, tão entregue à tanto ódio. As duas deram um banho de talento! Poucas vezes vi cenas tão bem feitas, tão "reais".
Reais pela motivação, pela análise que nos conduz, ainda que inconscientemente. Vejamos o duelo de razões de cada personagem (Nina e Carminha): uma que viveu anos em busca e completamente focada numa vingança e a outra que viveu anos...também focada numa vingança! Nina se vinga do mal, da injustiça feita por Carminha contra ela que lhe tirou o pai de forma absurdamente impune.Carminha se vinga da vida ingrata que teve, enganando, ludibriando uma sociedade que lhe furtou felicidade, prazeres, alegrias, fartura, etc, etc, etc...
Na minha visão, ambas são vítimas de um desvio mental (ou se algum médico quiser me consertar, estou aberta à esclarecimentos), que fez com que elas desperdiçassem a vida que poderia ter sido muito boa até se não houvesse esta "necessidade" de sair por cima, a tal vingança.
Não digo que perdoar seja fácil. Não é. Nunca foi e nunca será. Principalmente em questões familiares, no caso, Nina sabe que o pai morre praticamente por conta da descoberta de quem era na verdade a mulher com quem estava casado. E além disso, ainda é roubada no dinheiro da venda da casa e atirada à própria sorte no lixão. Não dá para ser hipócrita e dizer que ela deveria perdoar. Me desculpem os mais mais, mas creio que perdão também tem limite. No máximo, suportar, ignorar, se ausentar, seria "indicado" dependendo da pessoa, de sua personalidade. Eu, no caso da Nina não perdoaria, mas não perderia minha vida em busca de tanta vingança. Entregar para Deus é nobre, mas assistir um pouco de justiça da terra, é louvável. E algumas vezes até necessária para impedir um adoecimento ou morte prematura, até.
Nina e Carminha se igualam. E a história se iguala em outra ficção, a do filme Jogos Mortais. Alguém discorda??? Que ironia...
E o detalhe mórbido que não pode passar despercebido: o ibope subiu! Olha quanta gente, se vingou ontem através das cenas de humilhação, de "justiça feita", de poder adquirido com esperteza, enfim...
Muitos e muitos orgasmos múltiplos ao ver Nina por cima da carne seca! Palmas para a ficção que oferece aquilo que muitos gostariam ardentemente de ver na real. E digo mais: enquanto esperarem ardentemente, nunca verão...é assim que a vida age, cambada de bestas. Aprendam, pois a verdadeira justiça só acontece de cima para baixo e o de lá de cima sabe quando nossos corações estão realmente preparados para receber tal justiça feita.
Risadas a parte, a cena em que Nina se desenterra, pareceu ser baseada no vídeo de Michael Jackson mesmo. A morta viva levanta suja de terra com mais ódio ainda. E eu fico a imaginar se realmente cabe dentro de um ser humano tanto ódio assim...para que?????????? Me vinguei e aí? Subi algum degrau? Ganhei bônus com Deus? Não, não, não...se ganho bônus deve ser com o diabo mesmo...heheh...
Aqui eu encerro o texto, que NÃO é uma crítica, apenas uma análise MINHA que quero compartilhar com quem se interesse em ler. Exponho meu ponto de vista da situação e não me vejo na condição de julgar as personagens ou quem aja da forma que elas preferiram agir. Cada um é dono de si. Se acha conveniente apelar para a vingança, apele, mas...seja coerente consigo mesmo: aguente as consequências que virão, pois a vida cobra cada gesto, cada atitude. E cobra com juros.
