sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Puta.















De mulher a puta...


Desde que mantenha o nome sagrado, a mulher pode ser o que bem entender.
Pode ser mãe, ser dona de casa, faxineira, empresária ou seguir a carreira que escolher.
Só não pode ser puta.
Pode lavar a rua de noite, pode comer comida fria e crua, pode andar nua pela casa que a vida continua.
Pode ser uma mistura de tudo um pouco. Usar batom vermelho, vestido decente e lingerie daquelas que insinuam uma noite quente...
Todas merecem respeito!
Há de se ter muito peito para enfrentar um desconhecido imundo e cheirando a cachaça, deitar a carcaça sobre ela e ainda abraça-la como se fosse sua.
Toda noite a puta vai pra rua.
Vira a esquina e aguarda a buzina a chamar para amar. Mas ela não conhece o que é amor, foi criada para ser flor e não aquela...aquela, sabe?
Não se gabe. Ela é mulher, menina, meretriz, rameira, mariposa, rapariga, prostituta...
Ela é puta.
Simplesmente e tão docemente ganha seu pão da maneira mais antiga do mundo. Nunca será esposa. Nunca será madrinha. Nunca deixará de ser uma atriz, cuja vida corre nos bastidores da lama que se espalha pelo seu corpo quando sai da cama, depois de ser usufruída.
Muitos lhe pagam, alguns lhe abençoam. Uns poucos lhe ouvem contar sua história desde o início. Veio pela necessidade e ficou pelo vício.
Hoje já nem sabe mais quem é. Apesar de ainda ter seus documentos, pagar para viver, ainda tem seus aborrecimentos. Sabe ler, mas não tem tempo nas mãos calejadas, suadas, sofridas...
Sua boca cheira a jasmim. Aprendeu a beber perfume para disfarçar o azedume do hálito ruim.Não assobia para chamar fregues, tem medo de atrair homem que não seja bom com ela. Que a faça se apaixonar para depois largar como um pano de chão velho.
Basta se olhar no espelho e ver que ainda tem sonhos espalhados entre as rugas precoces. Sonha em ser alguém. E ter alguém. Mas que seja somente seu de mais ninguém.
No fundo, sabe que isso não acontecerá.
O amor não foi escrito no seu destino.
Por isso ela é puta.

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