Falar de mulher sem preconceito parece ser coisa de homem, aquela conversa de baixo nível mesmo, no balcão do bar descrevendo detalhes curvilíneos e debaixo de nomes xulos.
Mas falar de mulher é coisa normal. Até para as mulheres também!
Me orgulho de ser a que sou.
Respeito inteiramente a menina que já fui mas que ainda enxergo mesmo ao longe dos olhos, deixando à vista descaradamente a mulher madura, cheia de si, entregue às suas fantasias discretas e as não tão secretas.
O espelho me mostra uma mulher graciosa. Não me interessa mais se esta opinião seja somente minha ou de meia dúzia de admiradores. Basta ser minha e ponto final.
É o que tenho para mim hoje: uma mulher de baixa estatura, chegando no degrau de número 50...mas ainda aparentando beeem menos.
E enquanto houver Ávene ou a pura Natura, eu corro contra o tempo nas caminhadas até debaixo de chuva....ah, que delícia caminhar sentindo os pingos molhando cada canto e cada curva deste caminho traçado num dia 29 de agosto!
Não quero me prender falando apenas desta mulher que lhes escreve. Preciso lembrar das mulheres que preenchem a vida e a humanidade: as de profissões nobres, as esnobes, as pobres, as geniosas, as gentis, as mentirosas, as femininas, as masculinas, as mães, as filhas, as avós, as tias, as sogras, as irmãs, as que grudam como ímãs nos seus homens, as solteiras, as casadas, as bem amadas e as virgens de corpo e de alma.
As prostitutas, as atrizes, as cantoras, as diretoras, as professoras, as felizes, as crentes, as católicas, as judias, as muçulmanas, as umbandistas, as espíritas, as atéias e as que creem apenas em Deus.
Falar da mulher que tem prazer em ser mulher...tabu delicioso de ser discutido.
Ouvir a mulher que conta detalhadamente o que sente ao abrir as pernas para o amado ainda que este não lhe pertença por direito, mas que a use de bom tom e adore seu batom.
Ela vai descrevendo minuciosamente cada gemido de prazer que obtem do homem escolhido para abrigar em seu corpo, lhe gerar uma vida ou apenas lhe ofertar uma fonte de vida.
Ser mulher de hoje, de dia e de noite.
Mulher de calcinha de rendas, de camisola velha, de soutien da Victoria ou sem necessidade de algo para segurar seus seios fartos de vida.
Contar as vantagens de ser mulher: apenas é melhor.
Ter o mundo aos seus pés diante de homens jovens ou maduros, apaixonados ou patrões de seus corpos. Donos do seu prazer na imensidão da noite...ela sabe ser um vulcão na hora certa!
É encher os armários de sapatos, bolsas, perfumes, sombras, vestidos e calças. O chinelo de pompom para aquele caminhar cheio de graça pelo quarto na penumbra da comemoração de mais um ano de união.
As meias e cinta-ligas, as algemas da cama, os véus que embalam os sonhos a dois.
Olhar seu rosto que se modifica com o passar dos anos, mas que nunca rejeita a sua essência.
Posso falar também da mulher que prefere o prazer ao lado de outra mulher,por que não?
Ela pode não ser feminina, mas menstrua e até sangra de amor por outra mulher também se fôr preciso!
Lembrando da mulher que se tranca no banheiro em busca da depilação perfeita, da coloração nos cabelos, das unhas moldadas nos salões ou por ela própria.
Daquela que se toca e troca consigo a energia de um gozo solitário, mas completo. Que deixa se arrepiar inteira ao lembrar das cenas mais calientes que viveu. Que amou.
Transpirou felicidade...
A mulher loira, ruiva, morena, alta, magra, gorda, baixa, longelínea, curvilínea...a gostosa de plantão que pega nos seios sem medo, pega na bunda e admira. Pega nas coxas e alisa. Pega nos cabelos e sente seu cheiro e até busca conhecer o seu gosto...
Existem aquelas que nunca puseram um espelho entre as pernas para se conhecerem...cresceram acreditando que não é certo ou é dispensável este gesto. Loucas! Esta atitude muda por inteiro o conceito do corpo que lhes direciona a vida!
É para descobrir cada ponto que lhes excite mais, pois o prazer é de graça e para todas!
A mulher que dá a luz, a estéril por natureza ou aquela que opta por rejeitar a função de mãe.
Enfim, aquela que dorme ao lado dos filhos, do seu homem ou dos seus bichos.
Aquela que vai e volta na maternidade até duas vezes no mesmo ano! Dor de parto é coisa para se esquecer do lado esquerdo do peito.
E esquecemos mesmo!
Somos mulheres de beijos, de abraços, de afagos e de tapas. Sugamos e lambuzamos, nem sempre a escolha é nossa.
Podemos ser o tudo e o nada na vida dos que nos cercam.
Somos poderosas, leoas, donas da sedução ou da frsutração, depende do homem...
Somos musas inspiradoras, somos temidas, somos objetos de desejo ou de desprezo...
Somos a que alimenta mas podemos ser a que mata de fome e de sede...
Podemos enriquecer e empobrecer. Depende do homem.
Podemos criar saúde e podemos enlouquecer. Depende do que nos faz o homem.
Somos mulheres. Somente mulheres geram vida.
Portanto, seja voce a vida de uma mulher e seja capaz de morrer de felicidade.














