quarta-feira, 31 de julho de 2013

O tempo e eu. Eu e o tempo








Críticas são denúncias.

Por mais que se relute em aceitar novas idéias e contrapontos diferentes daqueles que você recebeu anos e anos durante sua "criação" que eu chamo de evolução, é tarefa ingrata.
É arte nefasta diante do altar dos deuses da arrogância e da ousadia em lhe impor ordens e progressos que você não aceita como corretos ou porque não quer ser visto como o objeto indesejado do seu espírito ainda incapaz de crer que exista vida após a discussão.

Desilusão.
Decepção.

Irmãs gêmeas de uma fase da vida onde tudo desaba em tudo de nós.

Desaba nos conceitos. Desaba nos sonhos, nas ansiedades das noites esperançosas em busca de dias de sorte imensa.
Desaba nos ombros das faxineiras que nos acompanham o dia a dia como funcionárias das nossas casas onde nós é quem deveríamos remexer os armários e retirar as poeiras e sujeiras que nós mesmos fazemos e deixamos.

Mas deixamos acontecer...

E o tempo, senhor dos senhores, não faz caridade com nossas expressões!
Arranha nossas faces nos mostrando o quanto frágeis somos e o quanto de fel ainda temos de beber pelas sarjetas que passaremos ocultos ou submersos em pensamentos de morte que nunca vem.
O tempo é senhor do cemitério, das doenças, dos vícios, dos fins...nunca foi senhor de boas senzalas, cheias de gente feliz e alegre!
Pelas praças cheias de fumaça eu peço, eu imploro, eu rogo que me mostre ou me mude, me modifique os passos e...nada.

As ruas com seus asfaltos falhos me fazem tropeçar em novos chutes e pontapés errados. Falo o que não devo e respondo como não quero, mas sou forçada pela mãe natureza (a única que me restou), a ser uma mulher de peito aberto.
Gritar o meu direito de respeito!
Dizer que meu seio dói de tanta injustiça.

Ainda acredito na vida.
A velhice dos senhores sentados nas praças jogando conversa fora e tomando banho de sol, me dizem que o tempo passa e um dia ele volta trazendo paz.

Assim espero.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Menos Pausa, a fase nossa de cada dia.

 
 
 
 
 


 
 
 
 
 
 
Menopausa: a conquista da deusa interior
Um mistério e um poder na vida de uma mulher

A vida é uma dança de ritmos e ciclos e todos eles são maravilhosos, mas dependem do nosso olhar e perspectiva sobre os mesmos.

...

No caso da menopausa, a alegria que encerra em si, é um dos segredos mais bem guardados do mundo e para atingir essa alegria, a mulher tem que ter muita coragem, vontade e confiança para passar pelos monstros que guardam a porta do segredo. Quando chegámos ao limiar, parece que do outro lado apenas existe escuridão, decadência, perigo, mas como milhares de mulheres de todas as culturas ao longo da história, murmuram umas paras as outras “é a passagem mais maravilhosa que uma mulher pode fazer”. A menopausa é um mistério na vida de uma mulher, mas também é poder.

Os “monstros” que guardam a porta do segredo gritam “a menopausa é um problema a ser tratado, é deficiência de estrogénios, osteoporose, terapia de substituição hormonal, etc.” e levam-nos a acreditar cegamente levando-nos para longe do portal e assim recorrer a químicos que nos impedem de prosseguir.

Na visão da deusa, a menopausa é um percurso natural, saudável e sagrado, não apenas para a mulher, mas para todos. É um tempo de profunda introspecção e crescimento interior. Os problemas são uma bênção, são portais de transformação. Há muitas semelhanças entre os sintomas físicos da menopausa e o despertar da kundalini. A Kundalini é a raiz de todas as experiências espirituais, é um tipo especial de energia: quente, rápida e poderosa; é vista como uma serpente enrolada na base da coluna, mas de facto também vive no útero. As 2 fases mais intensas do movimento da kundalini na mulher são a puberdade e a menopausa.

O movimento é sentido como um flash de energia muito quente que sobre pelo corpo mudando o funcionamento dos nossos sistemas nervoso, cardiovascular e endócrino. No caso da menopausa, a energia da kundalini acumula-se nos tecidos pélvicos (tal como antes de cada período menstrual) e por não ser libertada contribui para secura vaginal, problemas nas articulações das ancas, fraqueza da bexiga e incontinência urinária, falta de libido.
 
 
 
 
 
Saiba mais na próxima página Se a kundalini for guiada – pela intenção ou pelos “calores”- movendo-se pela coluna acima irá trazer iluminação e não incontinência. Move-se da raiz para a cabeça, iluminando-a com a Coroa da Deusa, aliás este é o famoso halo de luz com que se descrevem os santos.

Quando se eleva, a energia da kundalini passa por 6 chacras despertando assim vários sintomas no caminho: falta de desejo sexual, perda de massa óssea, dores abdominais, inchaços, digestões difíceis, palpitações cardíacas, problemas de tiróide, dores de cabeça, falta de memória, etc. Quando os nossos chacras são activados pelos calores da kundalini tudo o que tínhamos armazenado nos nossos centros energéticos e não resolvido, surge então à superfície.

Existem vários tipos de tratamentos naturais para lidar com todos estes desconfortos e sem dúvida que podemos recorrer a eles, mas a questão fundamental é a iluminação e sabedoria interior, o portal que está à espera de ser aberto por nós. Por isso quando compreendemos que todos estes sintomas são para nos ajudar no despertar, eles vão diminuindo consoante o trabalho interior que fizermos. Em vez de sermos vítimas do corpo, podemos ver onde ele nos está a chamar a atenção e reclamar a nossa sabedoria e a nossa cura interior.

Para irmos de encontro á nossa deusa, precisámos de criar o ambiente propício a que ela se manifeste, com algumas mudanças de atitude tais como:

- Passar tempo em silêncio na Natureza
- Meditar
- Escutar música suave
- Ter uma alimentação saudável e leve
- Fazer exercício físico que ajuda a desbloquear os nossos centros energéticos tal como yoga, tai chi, chi kung
- Sorrir para a vida com gratidão em cada dia

A menopausa é uma fase da vida que aborrece um pouco quase todas as mulheres e tudo parece ficar descontrolado, as nossas crenças são questionadas, as alterações do corpo são significativas, e ainda vemos muitos entes queridos começarem a partir. Muitas mulheres indígenas praticam vários rituais lindos tanto na puberdade como na menopausa e também nós podemos fazer cerimónias de entrada na menopausa com as nossas amigas e partilhar toda a sabedoria que atingimos.
 
 
 
 
 
 
Sugiro uma cerimónia de Coroação da Deusa, um tributo simbólico a todo o percurso da mulher e a reclamar o seu poder nesta nova fase da vida. Escrevam uma carta ao vosso corpo que tolera todas as nossas reclamações e pouca gratidão. O corpo que tantas vezes não honrámos na juventude, que não amámos, que caminhou connosco cada passo da jornada, por vezes maltratado com dietas malucas, com medicamentos, com cirurgias de estética por causa de algumas rugas, e a cada dia acordou dando-nos a possibilidade de fazer diferente. Um dia vamos despedir-nos deste corpo sem o qual não nos poderíamos experienciar como a expressão do Divino.

Vamos honrá-lo em cada dia, em cada respiração, em cada etapa, pela sua inteligência e sabedoria, e esta é a oportunidade pois não irá connosco na etapa seguinte e não sabemos quando esse momento de despedida chegará. Vamos ver mais além, além do caos da menopausa, além dos monstros diante do portal, pois lá está a Deusa poderosa, sábia e cintilante em cada mulher. Entrem com confiança no poder que vos aguarda no portal da menopausa. É vosso por direito! Namaste.






 Isabel Costa
Naturologista e Palestrante


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ruas sem saídas, becos escuros e caminhos tortos.















Anda esperta, moleca,
a vida é faceira
e se der bobeira,
o vento te leva...

Com este verso eu atravessei a rua de muitos anos passados. Algo de velhos tempos ainda se mantém no mesmo lugar, outros soam totalmente desconhecidos.
A calçada tem buracos novos, mas iguais aos antigos...estranho demais isto!
Atravessando a rua me vem logo à mente que deveríamos ter um notebook acoplado à nossa mente, olha quantas idéias nós perdemos pelas ruas na falta de um pedaço de papel e tempo para anotar as letras formando opiniões, definindo conclusões, mostrando falta de razão e espaço de sobra para as emoções.

Não sei mais há quanto tempo aquelas pedras que formam as calçadas marcadas ainda por notas musicais, não viam os meus pés, não sentiam o meu peso nos passos apressados entre tantas pessoas lerdas, acostumadas com um calor infernal, uma moleza invejável e uma preguiça traiçoeiramente reveladora da cadeia genética.

Não me furto ao passado. Deixo livre o caminho para que ele me traga nas minhas mãos, o que rouba meu presente de hoje: momento de relembrar lances que aconteceram e se tornaram pedaços de um quebra cabeça já sem nexo.
Homens e mulheres que cruzam meu caminho, totalmente sem noção do "para onde devo me dirigir", mesmo? Eu esqueci, moça..."

Mas a moça não queria lembrar tanta coisa, não, pois que o passado abusou da sua sanidade e da sua caridade ao lhe forçar uma saída nada à francesa...na vida temos escolhas, mas nem todos tem boas escolhas...é, moço....as vezes a gente tem de pensar pela razão e não pela emoção.
Duro, né?

O Orsina da Fonseca ainda continua o mesmo ironicamente falando: Orsina da Fonte Seca.

As ruas cheias de caras de bandidos disfarçados de camelôs, de gigolôs, de gente do bem que vem para ajudar e ...te fode!

Aqui se faz curva de um modo engraçado: quase rente à calçada da esquina. Não lembrava mais disto!
Aliás, nem da corretinha no tornozelo eu não lembrava!!!!
Como eu adorava usar isto!
Muitas que eu mesma fiz, outras que comprei nas areias quentes das praias, nas calçadas decoradas e até nas barracas baratas da praça (a Saens Pena).

Uma cidade que não mostra mais os seus traços para mim, mas que mesmo assim ainda me faz lembrar Daniela Mercury cantando "O Canto desta Cidade, sou eu....o canto desta cidade é meu..."
...não, não, não...o canto desta cidade não é mais meu. Nem sei mais se um dia foi meu.
Não tenho mais nada a ver com esta sujeira, este calor, este abafamento que me faz entrar nas lojas para buscar o conforto do ar condicionado, o mesmo que eu fujo lá em SP e aqui tenho vontade de levar junto comigo para a calçada!
E nem está tanto calor para isto! Temperatura relativamente quase baixa: 20 e poucos graus...isto nos mata e nos deixa como manteiga derretida em SP...que horror de diferenças!

E o Cristo continua lá de cima com os braços esticados, coitado.
Não cansou ainda.
Não perdeu a fé de acreditar neste povo daqui de baixo.
Não se permitiu um dia sequer de descanso.
Não desistiu do calor dos seres ditos humanos que olham para ele todos os dias e até o ignoram...

E assim, eu parto dessa cidade, não sei quando, mas deixando nas paisagens de trás, as lembranças e os aprendizados.
Carrego dentro de mim saudades, realidades e a frieza de tantas crueldades...
Mas é o que eu tenho de bagagem para hoje, sabia?

No meio do caminho uma pausa na banca de jornal, que de noite em pleno mes de junho, pisca e fica parecendo uma árvore de natal.
Passa um carro apressado por mim. No vidro traseiro um logotipo (adesivo) colado escrito: OBRIGADO JESUS!
Me disseram que tinha outro adesivo escrito tambem: "OBRIGADA, CARMINHA!"
Algum ministério deveria alertar que excesso de mal gosto é altamente prejudicial à visão, à cultura e à saúde em geral...argh....

Não moro no paraíso, não. Mas moro numa cidade que tenta a todo custo respeitar as pessoas que vivem nela.
Uma reciclagem total nesta cidade feita às pressas para um evento mundial, a copa de 2014 e que só coloca é um amontoado de transtornos aos "sobreviventes" que aqui jazem pelas ruas...engarrafadas, mal tratadas e mal iluminadas e mal cheirosas.

Ironia que transborda até em excesso pelos poros. Tudo é motivo de uma piada ou de uma revanche.
Levar a melhor ou ter vantagem em tudo e o Gerson que talvez nem lembre mais quanto ganhou para falar este bordão no bendito comercial dos anos 80 ou teria sido nos 70? Não lembro mais...

O barulho do funk que surge do nada e atravessa perfurando nossos ouvidos sem pedir permissão...não importa a letra! Vai dar dinheiro de qualquer jeito ao MC, ao Dj ao raio que o parta pelo meio que canta toda esta bosta!

A revista dominical do jornal mais famoso, traz a historinha do pobre menininho rico filho de 2 fatalidades: Luma e Eike.
Aos 17 anos o "menino" conta orgulhosamente ainda que de forma discreta, o mimo de ter sido expulso de uma escola alemã e ter sido, digamos que, convidado a se retirar por fazer xixi no material do coleguinha...que legal, né?
Eu penso na minha filha que todos os dias tenta elaborar uma forma de arrumar um emprego que não lhe atrapalhe os estudos e dou de cara com 3 folhas dedicadas à reportagem deste, me perdoe, mamãe e papai do filhote/problema, mas um completo inútil sendo alimentado a se tornar cada vez mais inútil!
Ele estuda na empresa do pai com professores particulares porque não se adapta com ambiente escolar.
Eu hein...tem deficientes por este mundo afora saindo no tapa disputando uma vaga numa escolaa comum e este aprendiz de meliante se torna DJ aos 17 anos com uma capinha de celular da Ferrari customizada pela merreca de 800 dólares, roupas e calçados importados, uma saúde de ferro e um cérebro já estagnado...nem sei porque toquei neste assunto.
Vai ter gente mencionando inveja. Ah, vá!
Inveja a gente pode sentir de gente bem sucedida, que venceu na vida.
Entendeu a diferença?
Mas enfim...coitado, ele tem escolha sim! Mas todos parecem envergonhados de terem de dizer isto para ele.
O barato todo é o jornaleco perder páginas inteiras para contar a história (?) deste "príncipe" com cara de Barbie...não tem duplo sentido homofóbico nesta minha expressão. Nem adianta tentar enfiar um para me meter um processo na justiça que a educação da minha filha prova justamente o contrário!

Falando em letra J...
E justiça seja feita, não é que justamente a Ticiane não aguentou o Justus????
Poxa, essa eu jurava que ia, héin!
Não fui a única a jurar em falso, a diferença de idade justificou tudo ou quase tudo.

E vida quando não vai indo, vai se fazendo de besta, levando quem ainda não precisava ir agora....mas como dizem que nem folha cai do pé antes da hora...eu me deixo convencer

Nao sei que horas, nem quando, mas devo sair desta cidade. E não vou levar a Daniela Mercury para cantar no meio do meu caminho!
Vou levar a imagem que restou, as palavras finais de perdão dado e recebido. Quitação completa de altas dívidas!
Não posso dizer ainda que "valeu" a vinda.
Mas posso me tranquilizar de que parto em paz, com a sensação de missão cumprida dentro dos meus limites.
Fiz TUDO o que estava ao meu alcance. Fazer mais seria querer ser Deus!
E se eu fosse Deus...nem eu estava aqui escrevendo isto tudo, nem voce estava sentado aí lendo uma enorme de uma metáfora que ninguém vai entender nada...

(autoria : Selma G. Coentro)






sexta-feira, 31 de maio de 2013

Longe.
















Longe demais...


...tudo muito longe! Da minha realidade, da minha cidade, da minha idade, da minha honestidade...e não era nada disso que eu queria, juro!
Foi só descuidar um pouquinho e...quase que já era tarde demais para salvar, para ver o mar, para sonhar, para deixar estragar...

Tudo, tudo muito longe! De mim, assim como um rio e suas pedras que traçam seus caminhos, destinos em ninhos, desertos despidos e reais demais.

Longe...que palavra dura! Nunca pensei que fosse fácil e nem tampouco que seria tão difícil ficar longe, estar longe...ao longo do tempo eu vou me dando conta que não somei o tempo vivido, somente diminui a vida perdida, a lágrima esquecida, a dor mal resolvida, a ferida escaneada na alma que de repente acha que tem direitos sobre a lei nossa de cada dia.
E não tem!

Nem vem, meu bem.
Eu já enxergo de longe o que a minha miopia cria teoria fria para sobresair e nunca escapa de sangrar!
Minhas rimas?
Iguais minhas tias...teimosas, faceiras, dando rasteiras na estrada dos outros olhares mas sem esquecerem de quererem muros altos em torno de seus anseios.

É justo ali? entre os seios que guardamos o que mais marcou.
O que ficou ou não ficou.
O que deixou ou voltou.
O que revoltou ou chorou.

Lágrimas doem! Pensa que não?
Tem horas que doem até o pisar no chão.
O rastejar dos pensamentos,
a mente doente, pedindo perdão
e recebendo apenas o não, o não, o não...

Saudade dói!
Passa de fininho por dentro e rói o que encontra.
Bate o medo e a gente bate na gente que não nos entende, mas quer que esquecemos as sementes que foram atiradas ao alto no alto do morro...

E agora eu não sei se já chegou a hora de ir...será?
Fica mais um pouco, só mais uns dias...quem sabe a vida dá uma volta e na roda da saia venha um fio de solução?
Não, eu não pensei que longe fosse tão feio!
Tem gosto de último beijo,
um cheiro de "daqui a pouco te vejo", não sei onde...

E os parentes que vem para te estender a mão e de relance te falam de um passado recente, dos dias ausentes, das lembranças boas e pior? Das ruins que ninguém quer esquecer! Que merda!
Ah, vá à merda mesmo! Todo mundo é uma merda! Não é uma merda que sai de longe para te acolher num momento de merda? Pois então...

Vizinhos, amigos, todos longe...
porque eu estou longe, meu pensamento está mais lonte ainda, minha vida anda longe de mim, minha saúde até quis morar longe da doença, mas....

Se eu pudesse escolher, não jogaria essas metáforas no teclado, mas sim, no lixo da crueldade...
Eu não nasci para desistir, mas também não quero ser
aquilo que fica num ir e vir,
sem limites feito luxo de madame estranha.

Luto contra o que me sai, contra o que me vai...e não adianta...cada dia é um dia a menos realmente...
Eu sei que temos um relógio em algum lugar, para variar, muito longe, marcando em compassos as notas musicais deste som lacrimejante que desce pela minha face ao te lembrar e mais ainda, ao te olhar de longe...
De noite, tudo fica mais longe!
Talvez seja apenas o medo do sonho vir e trazer a realidade que viverei amanha, ou depois de amanha, ou depois da semana que vem...mas que em breve bate ai na porta da frente e eu nem tenho como dizer que não tem ninguém em casa para receber a notícia ou reaver, quem sabe ainda me reste este direito de poder ficar entre os demais?
Ter alcance a uma hora extra, que custa?

Mas não...porque tudo está muito longe de mim...está tão longe que Deus já me avisou? Separa os sapatos de saltos de madeira porque a caminhada vai ser cansativa daqui pra frente...
Mesmo de longe eu irei me assistir neste palco. Tenho de me asisstir, sou eu a figura principal! Como vou fugir ou sair sem me despedir?

Pena mesmo é que isso tudo não esteja tão longe como eu imagino nessas letras...

(autoria: Selma G. Coentro)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Santa Sarah Kali, optchá!

ORAÇÃO EM ROMAIN:
Manglimos Katar e Santa Sara Kali Tu Ke San Pervo Icana Romli Anelumia Tu Ke Biladiato Le Gajie Anassogodi Guindiças Tu Ke daradiato Le Gajie, Tai Chudiato Anemaria Thie Meres Bi Paiesco Tai Bocotar Janes So Si e Dar, E Bock, Thai O Duck Ano Ilô Thiena Mekes Murre Dusmaia Thie Açal Mandar Thai Thie Bilavelma Thie Aves Murri Dukata Angral O Dhiel Thie Dhiesma Bar, Sastimôs Thai Thie Blagois Murrô Traio Thie Diel O Dhiel.

VERSÃO EM PORTUGUÊS:
Tu que és a única Santa Cigana do Mundo. Tu que sofrestes todas as formas de humilhação e preconceitos. Tu que fostes amedrontada e jogada ao mar. Para que morresses de sede e de fome. Tu sabes o que é o medo, a fome, a mágoa e a dor no coração. Não permitas que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem. Que Tu sejas minha advogada perante à Deus. Que Tu me concedas sorte, saúde e que abençoe a minha vida. AMÉM.











SÃO DIVERSAS AS LENDAS SOBRE SANTA SARA:
Algumas falam que ela seria serva e parteira de Maria, e que Jesus a teria em alta estima por te-lo trazido ao mundo. Outras, que era serva de Maria Madalena. Seu centro de culto é a cidade de Saintes-Maries de la Mer, na França, onde ela teria chegado junto com Maria Jacobina ou Jacobé,irmã de Maria, mãe de Jesus, Maria Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João, Maria Madalena, Marta, Lázaro e Maximinio. Eles treriam sido jogados no mar em um barco sem remos nem provisões, e Sara teria rezado e prometido que se chegassem a salvo em algum lugar ela passaria o resto de seus dias com a cabeça coberta por um lenço. Eles depois disso chegaram a Saintes-Maries, onde algumas lendas dizem, foram amparadas por um grupo de ciganos.A imagem de Santa Sara fica na cripta da igreja de Saint Michel, onde estariam depositados seus ossos.
O epíteto "Kali" significa "a negra", porque sua tez é escura. Seu culto se liga ao culto das Madonas Negras,
Fontes variam: se sua canonização consta de 1712, ou se é uma santa regional. Sua festa é celebrada nos dias 24 e 25 de maio, reunindo ciagnos de todo o mundo.
Sua imagem é coberta de lenços, sendo ela uma protetora da maternidade. Mulheres que não conseguem engravidar e mulheres que pedem por um bom parto, ao terem seus pedidos atendidos, depositam aos seus pés um lenço (diklô). Centenas de lenços se acumulam aos seus pés.
As pessoas fazem todo tipo de pedido para Santa Sara, por sua fama de atender todos os que depositem verdadeira fé nela. Mas perseguirá os opressores, os racistas, aqueles que vão contra seus protegidos que são os ciganos. Santa Sara é a santa dos desesperados, dos ofendidos e dos desamparados.






24 DE MAIO É O DIA EM QUE COMEMORAMOS SANTA SARA KALI:
A LENDA
Santa Sara Kali...
(A cigana escrava que venceu os mares com sua fé e virou santa)
Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéa e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.
Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias.
Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio. Segundo Míriam Stanescon - Rorarni (princesa do clã Kalderash), deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: Dalto chucar diklô (Te darei um bonito lenço).
Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um diklô, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.
Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos. Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo. A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco). Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade.




quinta-feira, 23 de maio de 2013

Poema de um dia de chuva.















Não perguntei nada, mas ele me disse que viver é bom...e dai?
Prefiro andar nas ruas iluminadas e as vezes esfumaçadas
das respostas malcriadas
de jovens e de não tão jovens rebeldes estragadas
pela amargura,
pela tristeza,
pela dureza
desta vida escura.

As nuvens disfarçam,
criam farsas,
que as vezes doem como farpas
nos olhos cheios de traças.
Incomodam.
Não devolvem o prazer,
não trazem o ser,
de volta para ter
vida em cima de vida.

Me iludo
e crio círculos de fumaças,
deliro,
no verde
atiro no vampiro
viro,
giro,
mas escapa entre os dedos
a dor da desgraça,
o frio da graça,
o pio do ópio junto com o ódio.

A brasa chega ao fim,
assim,
como eu, dentro de mim,
vejo cada vez menos um sim,
de perdão
em lágrimas
do coração
amargurado e....

....pra que terminar este poema se eu posso leva-lo junto comigo para a terra?

(Autoria:Selma G. Coentro)


quarta-feira, 15 de maio de 2013

PASSA











Passa o tempo,
passa a fome,
passa a sede,
passa tudo menos a vontade de ficar.
Passa as vezes, a saudade,
passa a tristeza,assim como é passageira a alegria.

Passa a chuva,
passa o sol, a lua e as estrelas por meu olho,
Passa a nuvem pelo meu pensamento,
passa o esquecimento de ruim lembrança.
Passa a verdade,
passa o sonho,
passa a dor,
passa o que impede,
passa a certeza de amar,
passa a liberdade,
passa a esperança.

Passa a viúva,
a solteira e a casada,
passa a molecada,
passa a agonia,
passa o que componho,
passa aquele que cede,
passa que seja arrebatador.

Passa a idade,
passa o aborrecimento,
passa o que escolho,
Passa o passado
passado que não passa...


(Autoria: SELMA GUIMARÃES COENTRO)