quinta-feira, 2 de maio de 2013
Cansaço.
É difícil falar sobre cansaço...
Quando ouvimos ou lembramos desta palavra, creio que a primeira coisa que nos vem a mente seja o cansaço físico, aquela coisa estafante de várias tarefas sendo cumpridas uma após outra e tal. Mas eu não vim escrever este sobre este tipo de cansaço.
Não, eu vim contar sobre um cansaço que muitas pessoas se negam a assumir, se omitem dele, escondem debaixo de lágrimas, de falsos risos, de piadinhas ultrapassadas até para que ninguém se dê conta da realidade de um cansaço real.
O cansaço da vida.
O cansaço das pessoas. Das boas e das ruins. Das legais e das chatas. Daquelas que nos rodeiam sempre, seja por conhecimento, por acesso casual, por laços familiares, por proximidades diversas.
Do cansaço da maldade dessas pessoas, do egoísmo dessas pessoas, da ignorância dessas pessoas. De tudo que elas representam para nós e para o mundo em geral.
Cansaço de ouvir barulhos que elas fazem para chamarem a atenção. Cansaço do silêncio que elas nos impõem por medo da troca de afetos ou de farpas.
Cansaço que não cansa de ficar.
Não pede para ir embora.
Não sai de dentro da gente.
Não fica lá fora da nossa vida.
Cansaço de ligar a tv e ver atropelamentos todos os dias, como se as regras de trânsito não pudessem serem modificadas à revelia.
Cansaço de ver estes atropelamentos se tornarem banais, como as vidas dos outros que não conhecemos.
Cansaço de ler sobre tiroteios, assaltos, sequestros, crimes passionais que acabam sendo a única saida para situações infernais.
Cansaço de ver programas bobos, falando bobagens sobre saúde, sobre beleza, futilidades, coisas que se aprende de forma tão simples, basta ter um espelho nas mãos.
Cansaço de ver personagens forjados em cenas mal forjadas para tentarem um ar realismo que nem de longe convence.
Cansaço de ouvir padres, pastores, rabinos, pais de santo, mestres e leigos sobre assuntos intitulados religiosos, mas que de Deus mesmo,estão tão distantes...
Cansaço de entender que a humanidade precisa de solidariedade e não de religiosidade. Sobra palavra e falta compreensão até das mesmas.
Cansaço de ver gente bonita ás custas da tecnologia ultramoderna que não permite mais que se envelheça naturalmente, como se isso, o ato de envelhecer, se tornasse ridículo.
Cansaço de andar nas ruas e ver que falta calçada, falta árvore, falta espaço entre as casas, falta jardim, falta animais mansos, falta vizinho que dê um sincero "bom dia". Falta gente sem noção das horas que pare para uma boa conversa.
Falta gente que se preocupa com o outro dispensando o sentimento de posse. Ninguém é de ninguém, quando aprenderemos isto?
Cansaço de doenças reais e de doenças fingidas cuja única finalidade é desviar assuntos..isto é mais difícil de falar do que imaginei...
Cansaço de gente "estrela". De gente perdida. de gente esquecida. De gente que só tenha olhos para computadores, para jogos, para chamadas perdidas nos celulares.
Cansaço de saudades que não terminam, de dores que não passam nunca, de vontades de chorar até alagar a rua!
Cansaço de olhar para as minhas mãos e entender que elas não foram capazes de construir o que eu mais queria...
Do que não cansei, afinal?
Me pergunto seriamente...
Cansei de tentar ser feliz. Cansei de mim. Cansei da vida e cansei até de escrever sobre tudo isto...
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