sexta-feira, 30 de março de 2012

Resista

 

 

 

 

RESISTA.


Resista
ainda que a dor insista
em querer fazer moradia
em sua vida.
Resista
o quanto possa e o quanto queira
enquanto o tempo não vira poeira.
Resista
porque o amor existe e insiste em entrar no seu coração novelista.
Resista
ainda que os inimigos lhe digam que nada mais vale a pena,
lembre-se que eles só desejam ver você sair de cena,
por isso insista
e resista.
Diga que você é mesmo muito calculista,
oposto de feminista,
fatalista,
humorista
ou malabarista
Na vida tudo vale, páre de bancar a terrorista,
seu caso é sério!
Não adianta especialista ou psicanalista.
Você é realista!
Por isso, resista!
Entre devagar como turista
passeie, observe, ame sem ser egoísta.
É muito bom esse ar sentimentalista,
que a tudo devora de forma altruísta.
mas não se esqueça de ser sempre a protagonista
dessa vida vazia e moralista.
Insista e resista!
 
(Selma G. Coentro)

quinta-feira, 29 de março de 2012

O trem nosso de cada dia.




E hoje não teve trem para levar o trabalhador para a labuta,
Não teve lugar livre no ônibus,porque todos precisavam ir à luta,
à pé,
segurando o sono com fé,
dizendo e explicando que era tudo igual,
sempre muito mal,
Acabavam indo pelas sarjetas,
disparando palavras sem etiquetas
indo em busca da vida de forma brusca
em bandidas despedidas.

E hoje não teve trem.
O povo ficou sem
ter como ir
e como vir.
E amanhã vai ser igual
vai dar no jornal nacional
que não teve trem
para ninguém...

Amor, o velho companheiro.







"Que seja imortal enquanto dure..."

Vejo duplo sentido na frase e já sei que poucos entenderão meu ponto de vista, mas enquanto sou SELMA, serei por mim até o último pingo d'agua. Me baseio firmemente que amor é sentimento mas é tudo ao mesmo tempo e tudo não morre na primeira (ou segunda, terceira, décima, milésima) vez.
Amor, uma vez que nasce é eterno!
Adormece, amolece, enfraquece, esmorece, mas nunca morre.
Nunca!
O amor é uma semente que não brota em qualquer peito. É feito girassol: precisa de boa terra, acesso direto ao sol, regas permanentes e em quantidade a não causar alagamentos, enfim: dá trabalho!
Cansa, nos desmancha até, mas vale a pena. Porque é lindo, é confortante, é parte da vida!
Por que  o amor nunca morre?
Porque o plantio é no coração, único terreno capaz de receber tal semente. O resto do corpo participa ativamente na manutenção. O sexo estimula, o cérebro alimenta, o estômago pede mais, os membros o movimentam e a alma o guarda.
O amor é companheiro na saúde e mais ainda na doença. É sensação de paz no meio da guerra da vida. É calma nos momentos de aflição, de medo, de insegurança, na vivência das perdas, na visão do dia a dia, no canto dos passarinhos das nossas janelas da experiência. É conforto na dor. É acolhimento na felicidade incontrolável. É cúmplice no erro.
Amor não está ligado apenas ao sexo. Este pode até ser seco, sem emoção, sem brilho, sem motivo, sem tesão mesmo, isso é apenas sexo.
Amor é o sexo por companhia. Independente da idade, do estado do corpo físico, da fragilidade presente na necessidade constante de medicamentos e até na raiva da divisão de opinião!
Como o amor é grande!
Ele vem pela paixão, passa pelo atalho da dúvida e segue em frente.
Ás vezes se depara com a decepção e cai doente, mas se ergue porque o amor é perdão. É vida no sangue. É pulsar com ânimo.
A decepção o fere quase mortalmente, mas não consegue seu feito maligno quando o amor é verdadeiro e sincero.
Não sei se existe amor falso. Não, não existe. O amor falso é um interesse no outro que se limita ao status social ou pessoal apenas. É um quase-nada querendo ser quase-tudo, mas não tem espaço para crescer e não vai adiante.
O amor salva num acidente. Salva no perigo. Salva na hora da morte. Até ajuda para que esta última seja mais amena, mais aceitável, compreendida...
O amor é o único a nos dar certeza de que o divino atua em nós e por nós.
Por amor somos capazes de tudo. De dar a luz ou a escuridão, se fôr preciso.
O amor não se incomoda com os "band aids" nos curativos de feridas causadas pelo ódio, pelo rancor, pela mágoa, pela raiva, pela inveja e tantos mais sentimentos inferiores.
O amor, posto que é chama, incendeia a mente e tão somente faz nascer a vida aqui e do outro lado no além.
É um mar em nossa volta!
É calmaria em nossos dias!
Amor é ter a certeza de ninguém nos pertence. O amor não combina com o apego doentio, pois aceita que a partida do outro é crescimento para ambos.
Feliz daquele que sabe o coração que tem. Que sabe que ser amado e poder amar, é o melhor da vida!
Ele nos leva pelas nuvens até o nosso destino.
É composto de lágrimas, de sorrisos, de abraços, de carinho e até de afastamento.
É beleza e feiúra juntos, porque ele transforma tudo.
Ele às vezes sai pela boca e nos faz meter os pés pelas mãos, mas é em sua intenção.
É beijo, é olhar, é postura, é real...

quarta-feira, 28 de março de 2012

A vida é um beijo na avenida.

                                               





Algum tempo atrás jurei (de pés juntos!) que nunca mais iria acompanhar novelas. Já tinha cansado de só ter histórias onde só se via o pior se evidenciando e saindo no lucro. Mas voltei atrás...e peguei metade da "Vida da Gente" e fui até o fim, sem me arrepender. O estilo onde tudo sai bem no fim ultimamente tem me satisfeito, já que na real nunca é assim.
Na carona, fui para "Aquele Beijo", onde acabo morrendo de rir com as peripécias da desencarnada que não quer ir embora e diferentemente do que se diz ser normal, o morto atazanar, esta ajuda os encarnados e ainda faz comédia em cima da própria vida que levou na terra. Muito bom isso! Ver a morte com bons olhos, é transformador! Pena que muitas pessoas não conseguem entender o que se passa na realidade e acabam não vendo graça na interpretação do personagem.
Para não perder a viagem, embarquei na "Avenida Brasil" de 1990 e revejo o ódio da realidade cruel que temos ai fora.
Nada a ver com a água açucarada das novelas das 6, que transforma a vida em um mar manso e azul celeste. O mar que vemos na vida, está altamente poluído, desaconselhável para banho e largamente triste. Mas esta é a realidade brasileira: dias de lutas, de perdas, de batalhas até inúteis, porém necessárias.
"Amor, Eterno Amor" traduz um quê espiritual muito positivo, o de acreditar no dom especial da criança e do adulto, muito bem interpretados.
Pena que não vemos e nem temos como desenvolver com a facilidade vista na novela, esses dons de nos afastar do mal e nos aproximar do certo, do merecido e do destino bom. Na vida não é assim. Na vida precisamos carregar nossos pecados (?) até que eles se curem por si, ou por desistência nossa e ceder ao aprendizado exigido pela vida. É com sofrimento e põe sofrimento nisso, mas reza a lenda que nada é por acaso, então vamos acreditar e seguir em frente.
Como a realidade poderia nem que fosse por alguns dias, imitar as novelas das 6 e fazer tudo dar certo! Tudo nos conformes como esperamos, desejamos, sonhamos, pedimos!!! Isso mesmo: como pedimos! Por que parece que a gente pede tanto em vão? Deus não nos reconhece no grito? Deus nos escolheu como escória do mundo para pagar os pecados nossos de cada dia e por tabela, os de mais 300 pessoas??? Pelo menos é o que vejo acontecendo com muita gente.
Todo fim de semana passo debaixo de uma ponte na Marginal Tietê e vejo um mendigo dormindo ali, onde até construiu um anão, talvez do barro que juntou na poeira dos carros que passam e nem percebem a presença dele ali, somado às águas das enchentes constantes nesta cidade de largos espaços para todas as classes sociais.
Lógicamente que o mendigo da estátua de anão nunca vai ser protagonista em nada. Ele dorme de dia, mesmo que seja debaixo de um sol escaldante que aquece seu corpo judiado pela noite arriscada pela morte que se não lhe rodeia na esperança de levá-lo, perambula ao seu redor zombando o desprezo social que lhe faz presente.
Para este mendigo, por exemplo, a vida nunca será uma novela das 6.
Lembro de uma cena em que Nicete Bruno recordava o passado e falava do tempo em que ovo tinha gosto de ovo, pois hoje tem gosto de isopor.
Será que o tal mendigo se lembra do gosto do ovo? E quando tem o privilégio de obter um, vai se dar conta que gosto tem? Não vai ter tempo para este detalhe...o estômago não vai permitir. A fome vai "pedir" em vão por mais um ovo que somente Deus para saber quando virá...
Não entendo como ele sobrevive. Não me pergunto para não me culpar diante da minha mesa de todos os dias e nem do que rejeito na desculpa de não ser do meu gosto.
A vida também não é a comédia da novela das 7.
O que temos para achar graça? As dificuldades? Os acertos de contas da criminalidade diária? A facilidade na circulação de dinheiro falsificado? Remédios adulterados? Alimentos contaminados? Crianças rejeitadas ou mal tratadas? Idosos ignorados? A falta de solidariedade, de paciência, de honestidade, de lealdade, de justiça prevalecendo fortemente diante dos nossos olhos todos os dias?
A dor da verdade que se revela na novela das 8 (9) é a que se aproxima um pouco mais do que vivemos, mas que adianta se no final vai dar tudo certo ou se o mal vai continuar vencendo porque o autor quer mostrar que nos sacaneia muito bem no último capítulo, não punindo e nem matando o mal que passamos tantos meses torcendo para que caisse por terra?
Novela é uma extensão da vida que se vê.
Com a diferença de que na nossa, somos os autores e podemos dar o final que quisermos desde que tenhamos coragem, disposição e apoio da justiça real e da divina. Sem elas, somos meros robôs fingindo que vivemos e vamos sorrindo pra tudo que é poste e achando que está tudo no seu devido lugar.
Não está, não.
Por isso a comédia é tão necessária! Rir é o único remédio que nos empurra para o amanhã.
E viva o teatro!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Aprendendo sobre saudade.








Saudade:

"Mistura dos sentimentos de perda, falta, distância e amor, a palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão).
Uma visão mais especifista aponta que o termo saudade advém de solitude e saudar, onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia. A gênese a que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou ações."
-fonte: Wikipédia

Precisei viver muitas coisas para aprender este real significado. A palavra que me acompanhava na nostalgia da adolescência, mostrou enfim, que na verdade a saudade só existe quando a origem é alguém realmente importante em nossa vida.
Minha mãe, por exemplo.
Sua morte me ensinou que o tempo é precioso demais para se perder com fatos, pessoas ou coisas sem fundamento.
Me doeu, mas valeu.
Hoje eu sei o que é a verdadeira saudade. Não é aquilo que eu pensava ser quando sentia a ausência de amigos. Ou "amigos".
Ninguém é mais importante na nossa vida do que aquele ser que nos gerou. Filhos, marido, pai, irmãos e demais familiares são importantes. Fazem a nossa estrada mais alegre, mas a mãe é tudo.
O que eu pretendo com este texto não é falar dela, mas sim da saudade, este sentimento que eu descobri recentemente ter um outro lado na minha vida.
Não sinto saudades suas....sinto saudade da minha mãe.
De você, eu sinto pena por ter não ter deixado saudade. Pena por não ter sido eficiente ao ponto de me gerar saudade hoje. Me surpreendo!
O que descubro de mim em linhas que vou deitando letras, não era para ser exposto, mas é para ser (por mim e tão somente, por mim!) admirado!
Eu cresci e não houve outro jeito, copiei a canção para moldar o que percebo de mim agora, que amadureci enquanto você estagnou o rio lamacento das suas amarguras.
Não busco mais Clarice nem Quintana porque o dizer deles não me satisfaz mais. Hoje eu busco e quero além disso. Quero paz.
E sabe o que você faz?
...

Deus, a religião e o ser inteligente.






Não sei como este texto vai acabar sendo interpretado, mas minha necessidade de expor as idéias é imensa, então seja o que Deus quiser!

Tão fácil pronunciar o nome de Deus. Tão difícil praticar seus ensinamentos. Tão complicado aceitar a ponte existente entre o ser humano e a doutrina, seja ela qual fôr.
Não sou contra nenhuma religião! Sou contra aqueles que adentram templos, terreiros, igrejas, centros, mesquitas e todos os muros de lamentações existentes que abrigam gente com algum tipo de problema e se aproveitam das dores alheias em seu próprio benefício.
Aqueles que enriquecem, com a desculpa da obrigatoriedade do dízimo (10% ou 20%, tanto faz).
Aqueles que enriquecem com a desculpa da mão amiga e se valem de palavras sem uso comum para cativarem adeptos, doentes, desesperados, cansados da vida, no fim da vida, abandonados, esquecidos, desprezados, inválidos e jogados nas sarjetas de vidas.
Padres, pastores, guias, líderes, diretores, sacerdotes, gurus, rabinos....são tantos títulos de uma nobreza existente apenas dentro de uma alma esnobe, orgulhosa, aleijada....
O que ensinam?
De verdade mesmo? Que religião não salva ninguém. Não ajuda ninguém que não quer ser ajudado.
Onde se aloja a verdadeira religião? Dentro de um pequeno espaço no meio do peito humano: o coração que bate a cada instante buscando e irradiando amor.
Tão simples.
Não seria melhor se não fosse usado e abusado por aqueles que encontram meios torpes, cruéis, insanos e doentios para desqualificarem qualquer doutrina que seja!
Gente que entra no ambiente reservado para curas e orações com o objetivo único de provarem a si próprios o quanto "bom" eles são!
São bons em tudo: na lábia, na palavra que cativa, que leva é para o fundo do poço.
Se fazem acreditar que são puros, quase santos.
E no entanto, dentro da pele de cordeirinho branquinho, está o dragão soltando labaredas de ódio, ansiosos por vingança, sedentos de conquistas a serem imediatamente (ou não) descartadas como lixo contaminado.
Religiões. Me decepcionei com todas.
Esperei muito delas. Eu sei. Por isso e tão somente por isso, me deixei decepcionar.
Dentro delas conheci todas as espécies prejudicáveis possíveis de se imaginar quão válidas são estas existências.
Sei que minha amargura vai passar, porque não vou me permitir guardar esses sentimentos que não me levarão a nada.
Mas de certeza fica registrado que religião é culto do amor ao próximo. Quando a humanidade fôr capaz de descobrir a força deste sentimento, aí sim, veremos o fim de depressões, de crises disso e daquilo.
Por enquanto vamos aprendendo com a falta de evolução desses nossos irmãozinhos (?).
Porque Deus nos ensina a perdoar.
Um dia eu aprendo....mas só quanto eu tiver a certeza de que não serei usada novamente para saciar o ego maligno de um ser indiferente à verdade divina.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A primeira de muitas

Do deserto eu parto em busca de mim. Saio à procura de um pensamento que ficou perdido no tempo, no espaço entre as linhas de um texto mal interpretado e malvisto por Deus.
Não era o dia de hoje que eu queria que fosse surgir a resposta do meu tempo em vão.
Era o amanhã que eu pensava ser mais distante e foi adiante em tudo de uma única vez.
O objetivo de vida foi arrancado cirurgicamente às pressas para que ninguém testemunhasse o quão doloroso é saber de si em cada segundo que se passa.
Não vou olhar para trás na esperança de pedir sucesso, pois os deuses me negaram tudo desde o início e não será agora que vão mudar de idéia ao meu favor.
Não, senhor.
Eu agora sou senhora. E por agora não posso mais errar em seu santo nome.
Não vou criar expectativas futuras na ânsia de seguir seu caminho, pois eu me neguei o fim e será neste instante que não mudarei por amor.
Meio confuso?
Totalmente insano, como sempre foram meus pensamentos.
Alguém entendeu?
Nunca.
Não devo me abrir aos estranhos. Não falo com estranhos.
Canto aos quatro ventos o que sou, mas não revelo meus sonhos.